No último dia 15/10/2013 eu
tive o prazer de ser convidada pela TV Ara (Canal da cidade de Araraquara - SP)
para falar sobre o tema Rejeição na Gravidez (vide artigo neste Blog). Infelizmente
ouve um problema na gravação e cortamos o finalzinho da entrevista. Mas o
registro está aqui!
Esse espaço tem a intenção de divulgar temas da Psicologia Cotidiana de maneira simples e acessível, vivenciadas por pessoas em tratamento psicológico ou não, para aqueles que já fizeram ou pretendem fazer terapia, ou para aqueles que simplesmente se interessam por conhecer e compreender melhor as múltiplas dimensões do ser humano. Atendimento online para todo o Brasil e exterior e presencial em Araraquara - SP. Whatsapp: (16) 98162.6006.
domingo, 20 de outubro de 2013
sábado, 27 de julho de 2013
O que é o Masculino e o Feminino para Psicologia Analítica?
Para
compreendermos um pouco melhor da psicologia feminina e masculina, é preciso
antes introduzir uns dos conceitos mais básicos de Jung, que são os princípios
masculino e feminino, chamado pelo autor de animus e anima respectivamente. Para
a Psicologia Analítica, tanto as características do animus quanto as da anima
estão presentes em ambos os sexos, ou seja, o homem também tem parcelas de
feminino e a mulher do masculino.
Originalmente,
Jung formulou esta ideia da seguinte forma: a anima estaria presente no
inconsciente masculino e o animus no inconsciente feminino. O homem teria a
consciência puramente masculina e a mulher puramente feminina, e seus
contrapontos estariam inconscientes. No entanto, este conceito foi reformulado
com os teóricos pós-junguianos, hoje sendo aceita a ideia de que as
características femininas podem também estar presentes na consciência do homem
e as masculinas na consciência da mulher.
Mas o
que seria exatamente o masculino e o feminino? Seriam as características dadas
pela cultura? Os conceitos de anima e animus são substancialmente universais,
variando suas formas de manifestação ou de intensificação de acordo com a
sociedade, tempo histórico e cultura. Por exemplo, a cultura patriarcal
intensificou muito as características masculinas e desvalorizou as femininas,
sendo responsável, entre outras questões, pelo preconceito em torno da mulher.
Hoje isto está mudando.
Não é
minha intenção aqui aprofundar em conceitos tão profundos em um texto tão
sucinto. De maneira breve, descreverei os principais norteadores de cada
conceito.
A anima se trata das funções receptivas, passivas, não lógicas e
abstratas da psique. Ela tem a capacidade de trazer maior flexibilidade e abstração
ao nosso modo de entender ou de viver a vida.
O animus é responsável pelas funções
lógicas e racionais, sendo também o componente que nos traz direção,
discriminação e que integra o indivíduo à cultura.
Embora
ambos os gêneros contenham tais características, por fatores culturais, a anima
esteve mais acentuada na mulher e o animus no homem por muitas décadas. Nos
dias de hoje, essas polaridades estão mais diluídas, principalmente na questão
da mulher, que desenvolveu as funções mais práticas, principalmente depois de
sua inserção no campo do trabalho assalariado e por sua maior participação nas
questões públicas. O homem tem buscado reconfigurar as questões racionais e
abstratas na sua consciência, sendo este um campo de amplos estudos na academia
atualmente.
Hoje em dia é comum, independente do gênero, visualizarmos um
desequilíbrio entre animus e anima na psique. Culturalmente, principalmente por
conta de exigências profissionais e econômicas, atendemos muito mais as
demandas lógicas e práticas do animus do que as atividades de abstração e
interiorização próprias da anima, tão importante para o equilíbrio psicológico.
Quando
este desequilíbrio está muito acentuado, observamos diversos sintomas, seja no
corpo (somatizações, doenças em geral), seja na psique (quadros de ansiedade
acentuados, depressão, entre outros) e também nos relacionamentos em geral.
A psicoterapia de base
analítica busca identificar e restaurar a qualidade de cada componente no
indivíduo. O conhecimento de si mesmo auxilia no bom desenvolvimento dos
relacionamentos e da nossa adaptação ao mundo.
Alessandra Munhoz
Lazdan
CRP 06/69627
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Psicoterapia: o que é e para quem
A Psicoterapia trata de questões humanas, existenciais. Ela
atende a todas as pessoas que estejam passando por alguma espécie de conflito,
dificuldade ou questionamentos, sejam relacionados a eventos passados, seja ao
momento presente ou a dilemas quanto ao futuro.
O
tratamento aborda tanto questões intrapessoais, ou seja, a relação estabelecida
consigo mesmo e o olhar para a própria história, quanto questões interpessoais:
as relações familiares, os relacionamentos afetivos, profissionais e com o
mundo em geral, oferecendo uma oportunidade de compreender e mudar os padrões que não
estejam enraizados em uma estrutura mais autêntica do ser.
Como o tratamento psicológico funciona? O psicólogo clínico (psicoterapeuta), munido
de meticuloso treinamento teórico e
técnico adquirido em sua trajetória de formação profissional, orientará o
paciente numa trajetória de aprofundamento pessoal, através de questionamentos
e percepções, oferecendo-lhe um novo olhar para sua história, tendo como
consequência, a possibilidade de abertura de novos caminhos.
Existem
muitos casos em que o tratamento psicológico precisa ser associado com o
tratamento medicamentoso. Entre alguns destes, estão problemas como depressão
severa, síndrome do pânico, transtorno bipolar, transtornos alimentares, os
quais devem ser acompanhados por um Psiquiatra. Devemos alertar que o tratamento psicológico paralelo ao
psiquiátrico é indispensável.
Ao
longo deste blog, descrevo cada um desses casos a fim de se identificar e
esclarecer melhor cada problema no intuito de auxilia-los na busca da ajuda
mais adequada.
Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O Toque como Constituição Psíquica
Acho difícil alguém ver esse vídeo e não se sentir tocado. A sensação de prazer e acolhimento ao se colocar no lugar desse bebê nos mostra o quão o toque é vital para o ser humano. Na verdade, o toque é essencial para o desenvolvimento de todos os mamíferos, animais que possuem o sistema límbico no cérebro, parte que regula os processos emocionais do Sistema Nervoso Autônomo, sendo responsável pelas funções de vínculo e afeto, constituintes vitais para o desenvolvimento sadio de todos os animais que o possuem, e nós seres humanos somos um deles.
Reportando-nos especialmente a nós, seres humanos, pensemos na importância vital do toque na nossa organização psíquica. De onde vem esta necessidade de contato corporal e porque isto nos faz bem psiquicamente? Porque a pele é importante na organização psíquica e como participa desta construção?
Nossa memória se constitui em primeira instância através das sensações. Os registros do início da vida (registros mnêmicos) são armazenados no corpo. O contato corporal na relação mãe-bebê é a primeira forma de comunicação do ser humano. Posteriormente, com o desenvolvimento da linguagem é que conseguimos dar significado a esses registros, ou em outras palavras, a simbolizar essas sensações.
Do ponto de vista embriológico, a pele e o sistema nervoso têm a mesma origem. Montagu considera o sistema nervoso como “uma parte escondida da pele ou, ao contrário, a pele pode ser considerada como a porção exposta do sistema nervoso” (MONTAGU, 1971, p.23). Por isso, ao mesmo tempo em que nos protege, ela também é um dos nossos primeiros meios de comunicação.
Considerando que o toque é a nossa primeira referência de contato e afeto e faz parte de nossos registros e memória afetiva, é desejável que as estimulações cutâneas sejam tranqüilizadoras, reconfortantes e agradáveis para que o bebê possa ter um desenvolvimento saudável, sem nenhuma interrupção na sua continuidade de existência. Assim sendo, o toque possui uma importante função na estrutura psíquica do sujeito.
Quando o toque é oferecido com afeto e intenções de acolhimento, o bebê o registra como uma experiência prazerosa, que enriquece e favorece a construção das estruturas afetivas, ao passo que as experiências de desprazer tendem a ser disfuncionais para o bom desenvolvimento dessas estruturas, podendo dar origem a uma série de transtornos psicológicos, sejam de ordem mais simples, como dificuldade de estabelecer vínculos e confiança com outras pessoas; sejam moderadas, como ansiedades e medos; ou complicações mais severas como fobias, síndrome do pânico, transtornos afetivos entre outros.
Todas essas considerações sobre a importância do toque embasaram a criação da Psicologia Biodinâmica, que faz uso do toque terapêutico, como ferramenta para o tratamento de problemas psicológicos que se associam com as estruturas primárias da formação das estruturas psíquicas, como aqui pontuadas. A Psicologia Biodinâmica propõe o “descongelamento” e o fortalecimento da energia corporal e psíquica. O tratamento corporal biodinâmico auxilia, entre outros aspectos, na revitalização energética nos casos de depressão e apatia; na distribuição e harmonização da energia corporal para os que sofrem de stress, ansiedade e insônia; na integração psíquica, minimizando e tratando de sintomas da síndrome do pânico, por exemplo, e agitação mental, devolvendo a concentração e harmonia.
A Psicologia Biodinâmica surgiu na década de 1960, em Londres, quando teve suas bases teóricas e técnicas formuladas por Gerda Boyesen, uma psicóloga e fisioterapeuta norueguesa, e vem influenciando um grande número de profissionais em vários países do mundo desde então.
Referências consultadas:
MACHADO, Rebeca Nonato; WINOGRAD, Monah. A importância das experiências táteis na organização psíquica. Estud. pesqui. psicol., Rio de Janeiro, v. 7, n. 3, dez. 2007 . Disponível em . acessos em 17 fev. 2013.
MONTAGU, A. Tocar: o significado humano da Pele. 7 ed. São Paulo: Summus, 1971.
ALESSANDRA MUNHOZ LAZDAN
CRP 06/69627
sábado, 9 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Psicologia Analítica ou Psicologia Junguiana
![]() | |
| Carl Gustav Jung |
Em termos gerais, existem escolas de
psicologia que trabalham com os aspectos conscientes da psique, voltando-se
para os padrões do comportamento e processos mentais. São as chamadas
Psicologias Comportamentais e Cognitiva.
Em outra vertente, existem as Psicologias que
consideram, além da consciência, a existência de processos inconscientes da
mente que influenciam ou até mesmo ditam as atitudes, pensamentos e
comportamentos que supúnhamos ser inteiramente conscientes. E, se existem
processos inconscientes que governam nossas atitudes, não temos tanto controle
quanto acreditávamos sobre nós mesmos. A não ser que nos submetamos a um
processo de análise.
A terapia, desta forma, não se configura
apenas como tratamento de distúrbios, mas principalmente como forma de
autoconhecimento. Conhecendo melhor a si mesmo, tendemos a nos harmonizarmos
melhor em primeira instância consigo próprio, e consequentemente com o ambiente
e as pessoas com quem convivemos.
A Psicanálise
de Freud foi a grande precursora a introduzir a ideia do inconsciente no estudo da Psicologia. Por meio da hipnose e
posteriormente com a interpretação dos sonhos, Freud percebeu que havia determinantes
inconscientes causadores das alterações emocionais. Definiu como a libido essa energia inconsciente e sua
constituição seria de origem sexual. Na época, início do século XX, essa ideia
causou grande alvoroço entre os teóricos da Psiquiatria e Psicologia, recebendo
inúmeras críticas. Hoje, a Psicanálise, embora com a hipótese da base sexual da
libido ainda válida, sofreu várias alterações com os novos teóricos, como
Winnicott, se pautando fortemente na relação mãe-bebê para a constituição da
estrutura do eu saudável, por exemplo.
C. G.
Jung foi o principal discípulo de Freud, diferenciando-se dele
principalmente por discordar da natureza
da libido, não generalizando-a com a conotação sexual, mas considerando-a
como uma energia vital, sendo a sexualidade apenas uma parte desta energia, e
não a única.
Outra diferença entre Jung e Freud foi a
ampliação da concepção do inconsciente. Depois de muitos estudos e pesquisas,
comparando a natureza dos processos mentais de diferentes povos (Europa,
América, África, Ásia), Jung percebeu que o chamado inconsciente não se
constituía apenas de reservas das experiências infantis – o que distinguiu com
o inconsciente pessoal – mas agrega também as experiências herdadas dos seres
humanos como espécie. Nomeou a esta ampliação como o inconsciente coletivo.
O inconsciente coletivo é um reservatório de
imagens latentes, chamadas de arquétipos ou imagens primordiais, que cada
pessoa herda de seus ancestrais. A pessoa não se lembra das imagens de forma
consciente, porém, herda uma predisposição para reagir ao mundo da forma que
seus ancestrais faziam. No entanto, são as experiências individuais que nos
permitem diferenciarmo-nos uns dos outros e constituir assim, um chamado Eu.
Jung também considerou com grande relevância
as tendências espirituais próprias da espécie humana. Hoje, o estudo da espiritualidade tem ganho bastante
força, principalmente no meio médico, por ser considerado um aspecto vital para
o desenvolvimento e equilíbrio da psique. Jung fez o estudo das religiões
comparadas, reconhecendo sua importância para o homem, voltando-se com respeito
para a crença de cada paciente. Este é o causador de um dos principais
equívocos pelo qual Jung é chamado ou conhecido como “místico”.
A teoria de Jung foi nomeada Psicologia Analítica. Neste breve
relato, procurei apenas introduzir parte de seu conceito, sendo impossível
contemplar toda a relevância de sua obra num único texto.
ALESSANDRA MUNHOZ LAZDAN
CRP 06/69627
Psicologia Corporal
Esta abordagem compreende tanto o aspecto físico do corpo, conhecida como a imagem corporal (como o corpo é visto e aceito socialmente, como a própria pessoa vê a si mesma e sua autoaceitação - isto inclui também os transtornos alimentares como a obesidade, bulimia e anorexia), como as sensações corporais, como o bem estar com o próprio corpo, as sensações de prazer e desprazer (incluindo a sexualidade), as emoções que surtem no plano físico, as expressões que conseguem ser exteriorizadas de maneira espontânea ou as que “devem” permanecer represadas no corpo, causando angústia, medo, ou até mesmo doenças. Um exemplo comum hoje em dia é a Síndrome do Pânico; sensações e emoções acumuladas que não puderam ser nomeadas e manifestadas de forma assertiva ou adequada no momento original. Este acúmulo de sensações, hoje transformados em sintomas de ansiedade e angústia, explodem de uma única vez no corpo causando desespero e desestruturando a vida do indivíduo acometido. Este tipo de transtorno acontece quando a conexão entre o psíquico e o corpo falha, desconexão cada vez mais freqüente na sociedade em que vivemos, cercada de exigências pessoais e profissionais de sucesso e desempenho perfeito, colocando em sacrifício os anseios da própria alma.
No cotidiano, a inconsciência corporal permite que as tensões do dia a dia bloqueiem o fluxo normal da energia e das emoções fazendo com que se perca a espontaneidade nas relações humanas.
Entre as vertentes da Psicologia Corporal destaca-se a Psicologia Biodinâmica, que intervém no corpo através da Massagem Biodinâmica.
A Psicologia Biodinâmica propõe o “descongelamento” e o fortalecimento da energia corporal e psíquica através da massagem. A massagem pode ser utilizada para a redescoberta da percepção do corpo e de si mesmo. Ela se apresenta antes de tudo como um cuidado ao indivíduo, respeitando seu momento, suas necessidades e limitações. Para isso, ela dispõe de variados tipos de toques e procedimentos.
O tratamento corporal biodinâmico auxilia, entre outros aspectos, na revitalização dos fluxos vitais nos casos de depressão e apatia; na distribuição e harmonização da energia corporal para os que sofrem de stress, ansiedade e insônia; na integração psíquica para os sintomas desintegrativos, sentido na Síndrome do Pânico; devolve a concentração e criatividade.
De maneira geral, a consciência corporal despertada no trabalho biodinâmico contribui na autorregulação psíquica, orgânica e espiritual, proporcionando maior vitalidade e saúde para o ser humano como um todo.
ALESSANDRA MUNHOZ LAZDAN
CRP 06/69627
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