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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Tempos de Crise: limitação ou criação?



           Uma crise econômica se apresenta diante de nós. O consumo diminui, a economia encolheu, empresas dispensaram funcionários. Uma limitação se apresenta, um desespero surge como resposta.
            O que fazer?
         Eis o momento em que somos todos testados, na nossa força, potência, limitação e medos. Enquanto muitos se sentem positivamente desafiados, outros se recolhem e guardam suas reservas até que os tempos se renovem e tragam boas novas. Mas é provável que a segunda opção não seja a mais produtiva para este momento. Crises sempre virão, seja de ordem nacional, mundial, ou estritamente pessoal. E conseguir olhar de uma perspectiva como uma oportunidade que se abre, ao invés daquilo que se reduz, pode lhe abrir possibilidades nunca antes visualizadas ou pensadas, possibilidades até muito mais criativas e quem sabe, até mais prósperas!
            Não é momento para fantasias ou vislumbres. Ao contrário, uma crise se coloca antes de tudo como um momento de reflexão, tomadas de consciência e planejamentos.
            Um bom início é avaliar como você lida com a restrição. O que ela te impõe? O que ela te provoca? Ela te desafia a partir para outros caminhos ou te amedronta e te deixa recluso e apavorado num estado de nervosismo e impotência?
            Lidar com a frustração é um outro desafio desta fase: é provável que se tenha que recalcular alguns projetos, adiar outros. Reclamações não são frutíferas agora. É o momento pra levantar questões: o que é importante para você neste momento? O que você quer para o futuro? Quais os caminhos que você pode percorrer para construir seu futuro? É hora de recalcular trajetos!
            E aqui é que entra a criatividade. Não se trata de criar ideias mirabolantes. O cerne principal aqui é refletir o que você fez até agora da sua vida, e o que você pode fazer de diferente. Neste sentido que a crise entra como uma oportunidade. Oportunidade de pensar onde e como você investiu sua energia, o que valeu a pena, o que foi desperdiçado. A crise nos obriga a repensar: o que de fato é importante para você? O que te daria mais prazer e nunca teve coragem de investir? Em muitos casos, ganhar menos pode ser um caminho mais leve e com mais sentido de vida.
            As possibilidades são inúmeras. Cabe a cada um refletir e levantar questões sobre seus investimentos na vida. Investimento de dinheiro é sinônimo de investimento de energia.

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Síndrome de Burnout: o esgotamento profissional


Vincent Van Gogh - Sorrow
           Burnout se caracteriza pelo esgotamento físico e mental, desgaste relacionado especificamente à vida profissional. Evolui para um estado de exaustão, situação em que as próprias necessidades são abandonadas em detrimento da dedicação exagerada ao trabalho. É um problema que alcança enraizamentos mais profundos que o simples estresse profissional. Ele vai mudar a forma como o indivíduo vê e lida com seu trabalho, interferindo principalmente nas relações interpessoais do ambiente profissional.
          Os sintomas aparecem nos campos físico e psicológico. Entre as manifestações físicas, destacamos a fadiga crônica, insônia, úlceras digestivas, hipertensão arterial e lapsos de memória. Mas é no âmbito psicológico que identificamos os maiores sinais deste quadro, os quais apontam para os seguintes aspectos:

  •  Exaustão emocional: há um esgotamento da energia e dos recursos emocionais para lidar com o convívio com as pessoas e os problemas profissionais. O trabalhador não consegue mais se dispor para o trabalho.
  •  Falta de envolvimento pessoal no trabalho: como consequência da exaustão, o trabalhador se envolve cada vez menos com sua ocupação, numa atitude defensiva daquele ambiente que para ele se tornou hostil.
  •  Despersonalização: identificada por um endurecimento afetivo, as relações tornam-se “coisificadas”, seu contato é expresso na forma de cinismo e frieza no trato com os colegas e clientes.
            Inicialmente, o burnout era mais relacionado à classe executiva, principalmente pelo fato de atingir pessoas que se cobram alto grau de exigência e rigidez nas execuções do trabalho. No entanto, as pesquisas acadêmicas destacam grande incidência nas áreas de Educação e Saúde, em especial, os professores e enfermeiros, profissionais que têm por hábito dobrar seus turnos no intuito de alcançar melhores salários. A dedicação que lhes é exigida, associada à desgastante demanda de sua clientela (alunos e pacientes), faz com que, muitas vezes, percam de vista o real propósito de seu ofício, tornando-o uma execução mecânica e sem sentido.
          A psicoterapia se introduz como principal agente de tratamento, considerando-se a necessidade de revisão das reais prioridades na vida daqueles que se perderam de si próprios. O que realmente importa na vida? Refletir sobre essa questão se coloca tão importante quanto saber identificar os próprios limites e aprender a respeitá-los.
           A síndrome de burnout pode ser prevenida por meio de cuidados contínuos. Compreender que a vida profissional é tão importante como a vida pessoal, espiritual e familiar, pode ajudar o indivíduo a conseguir administrar melhor o próprio tempo e alcançar uma qualidade de vida mais saudável.  

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Psicologia Corporal

A Psicologia tem trabalhado atualmente com conceitos reconhecidos em culturas milenares, como as concepções de saúde orientais da relação mente-corpo. A Medicina Tradicional Oriental sempre reconheceu e trabalhou com a visão holística do ser humano, ou seja, reconhecendo o homem como uma unidade dinâmica psico-física-espiritual. Estudiosos da Psicologia, percebendo a influência desta relação, partiram ao aprofundamento deste estudo o que se denomina hoje a chamada Psicologia Corporal.

Esta abordagem compreende tanto o aspecto físico do corpo, conhecida como a imagem corporal (como o corpo é visto e aceito socialmente, como a própria pessoa vê a si mesma e sua autoaceitação - isto inclui também os transtornos alimentares como a obesidade, bulimia e anorexia), como as sensações corporais, como o bem estar com o próprio corpo, as sensações de prazer e desprazer (incluindo a sexualidade), as emoções que surtem no plano físico, as expressões que conseguem ser exteriorizadas de maneira espontânea ou as que “devem” permanecer represadas no corpo, causando angústia, medo, ou até mesmo doenças. Um exemplo comum hoje em dia é a Síndrome do Pânico; sensações e emoções acumuladas que não puderam ser nomeadas e manifestadas de forma assertiva ou adequada no momento original. Este acúmulo de sensações, hoje transformados em sintomas de ansiedade e angústia, explodem de uma única vez no corpo causando desespero e desestruturando a vida do indivíduo acometido. Este tipo de transtorno acontece quando a conexão entre o psíquico e o corpo falha, desconexão cada vez mais freqüente na sociedade em que vivemos, cercada de exigências pessoais e profissionais de sucesso e desempenho perfeito, colocando em sacrifício os anseios da própria alma.

No cotidiano, a inconsciência corporal permite que as tensões do dia a dia bloqueiem o fluxo normal da energia e das emoções fazendo com que se perca a espontaneidade nas relações humanas.

Entre as vertentes da Psicologia Corporal destaca-se a Psicologia Biodinâmica, que intervém no corpo através da Massagem Biodinâmica.

A Psicologia Biodinâmica propõe o “descongelamento” e o fortalecimento da energia corporal e psíquica através da massagem. A massagem pode ser utilizada para a redescoberta da percepção do corpo e de si mesmo. Ela se apresenta antes de tudo como um cuidado ao indivíduo, respeitando seu momento, suas necessidades e limitações. Para isso, ela dispõe de variados tipos de toques e procedimentos.

O tratamento corporal biodinâmico auxilia, entre outros aspectos, na revitalização dos fluxos vitais nos casos de depressão e apatia; na distribuição e harmonização da energia corporal para os que sofrem de stress, ansiedade e insônia; na integração psíquica para os sintomas desintegrativos, sentido na Síndrome do Pânico; devolve a concentração e criatividade.

De maneira geral, a consciência corporal despertada no trabalho biodinâmico contribui na autorregulação psíquica, orgânica e espiritual, proporcionando maior vitalidade e saúde para o ser humano como um todo.


ALESSANDRA MUNHOZ LAZDAN
CRP 06/69627