Mostrando postagens com marcador Psicoterapia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicoterapia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de março de 2017

Angústia e alma


Foto: Marko Cavka
Não recomendo remédios contra a angústia.
A angústia é a dor da alma. E como dor, ela denuncia algum desarranjo da alma. Ela está alí para ser ouvida.
O que diz sua alma neste momento? Onde está você enquanto sua alma grita, geme ou sussurra? Para que caminhos ela te aponta? Para quais cantos da sua história ela te convida a visitar? É hora de parar ou de se colocar em movimento?
Ouça a sua alma. Fique com sua angústia. Ela chama por sua atenção e de mais ninguém.
É preciso de silêncio, de tempo e de espaço. Ouça sua angústia. Conheça sua dor. Fique com sua alma. Somente em sua presença é que se encontrará sentido para sua existência.

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Síndrome de Burnout: o esgotamento profissional


Vincent Van Gogh - Sorrow
           Burnout se caracteriza pelo esgotamento físico e mental, desgaste relacionado especificamente à vida profissional. Evolui para um estado de exaustão, situação em que as próprias necessidades são abandonadas em detrimento da dedicação exagerada ao trabalho. É um problema que alcança enraizamentos mais profundos que o simples estresse profissional. Ele vai mudar a forma como o indivíduo vê e lida com seu trabalho, interferindo principalmente nas relações interpessoais do ambiente profissional.
          Os sintomas aparecem nos campos físico e psicológico. Entre as manifestações físicas, destacamos a fadiga crônica, insônia, úlceras digestivas, hipertensão arterial e lapsos de memória. Mas é no âmbito psicológico que identificamos os maiores sinais deste quadro, os quais apontam para os seguintes aspectos:

  •  Exaustão emocional: há um esgotamento da energia e dos recursos emocionais para lidar com o convívio com as pessoas e os problemas profissionais. O trabalhador não consegue mais se dispor para o trabalho.
  •  Falta de envolvimento pessoal no trabalho: como consequência da exaustão, o trabalhador se envolve cada vez menos com sua ocupação, numa atitude defensiva daquele ambiente que para ele se tornou hostil.
  •  Despersonalização: identificada por um endurecimento afetivo, as relações tornam-se “coisificadas”, seu contato é expresso na forma de cinismo e frieza no trato com os colegas e clientes.
            Inicialmente, o burnout era mais relacionado à classe executiva, principalmente pelo fato de atingir pessoas que se cobram alto grau de exigência e rigidez nas execuções do trabalho. No entanto, as pesquisas acadêmicas destacam grande incidência nas áreas de Educação e Saúde, em especial, os professores e enfermeiros, profissionais que têm por hábito dobrar seus turnos no intuito de alcançar melhores salários. A dedicação que lhes é exigida, associada à desgastante demanda de sua clientela (alunos e pacientes), faz com que, muitas vezes, percam de vista o real propósito de seu ofício, tornando-o uma execução mecânica e sem sentido.
          A psicoterapia se introduz como principal agente de tratamento, considerando-se a necessidade de revisão das reais prioridades na vida daqueles que se perderam de si próprios. O que realmente importa na vida? Refletir sobre essa questão se coloca tão importante quanto saber identificar os próprios limites e aprender a respeitá-los.
           A síndrome de burnout pode ser prevenida por meio de cuidados contínuos. Compreender que a vida profissional é tão importante como a vida pessoal, espiritual e familiar, pode ajudar o indivíduo a conseguir administrar melhor o próprio tempo e alcançar uma qualidade de vida mais saudável.  

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Transtorno Bipolar



No uso popular, bipolar é aquele que muda de humor, uma hora está alegre, outra irritado ou triste. Na verdade, o transtorno bipolar é muito mais profundo e complexo que uma simples alteração de humor. Alterações de humor todos nós temos, oscilamos de acordo com os acontecimentos da vida, seja por um período do dia ou por momentos de transições importantes, podemos estar mais vulneráveis em relação às próprias emoções.
As alterações de humor daquele que sofre do transtorno bipolar são mais intensas e tem consequências na vida da pessoa. Em termos gerais, trata-se de uma oscilação entre os estados depressivos e os estados de mania (ou estados de euforia). No estado depressivo, observamos sinais de angústia, desânimo, falta de motivação para o trabalho e perspectivas futuras, sentimentos pessimistas, autoconfiança prejudicada e falta de fé na vida. Tempos depois (e esse tempo varia, podendo ser dias, semanas ou meses), isso se altera para o estado oposto, ou seja, o indivíduo fica extremamente confiante, se sentindo poderoso, com vontade de fazer tudo o que não conseguia ou acreditava no estado depressivo.  O perigo dessa fase é a prevalência de pensamentos megalomaníacos, em que a pessoa fica com ideias de grandiosidade e pouco pensamento crítico, que o leva muitas vezes a gastar dinheiro em excesso ou se aventurar em projetos que não dão conta. Outra característica é que nessa fase o indivíduo não aceita a opinião de ninguém, tornando-se bastante agressivo com as pessoas mais próximas. A agressividade é um sintoma bem frequente no transtorno bipolar.
Em geral, o que às vezes fica difícil de perceber, é que são indivíduos extremamente sensíveis e vulneráveis às próprias emoções, a críticas ou opiniões externas.
Tratamento: assim como uma série de outras doenças, o transtorno bipolar não tem cura, mas controle. Precisa necessariamente de um acompanhamento psiquiátrico e psicológico conjuntamente. O psiquiatra é quem vai administrar a medicação, com estabilizadores de humor, muitas vezes associado com antidepressivos. E o tratamento psicológico vai ajudar a pessoa a identificar quais são os fatores que o levam a se desestabilizar, que são estritamente pessoais, e como ele pode lidar de forma mais adequada com essas situações. Dessa forma, o paciente aprende a reconhecer os sinais da bipolaridade, a controlar e conviver de forma mais assertiva e com menos sofrimento.

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

Diferença entre depressão e tristeza


The I at center of the storm - Sharon Yamamoto
Como saber se o que você está sentindo é um momento de tristeza ou já se desenvolveu para um quadro de depressão? Nem sempre é fácil distinguir depressão de tristeza, mesmo porque ambos os quadros levam a atitudes de introversão e recolhimento. Outra dificuldade, é que a tristeza é um dos componentes da depressão, mas não o único. Em muitos aspectos elas se misturam e se confundem.
A tristeza pode ser traduzida como um sentimento de pesar, de dor psíquica, de luto. Ela é o resultado de alguma vivência de perda ou de frustração com bastante significado na vida da pessoa. Ao contrário da depressão, a tristeza traz um certo colorido à existência humana. É um acontecimento normal na vida de qualquer um de nós, e diria até que necessário em muitos momentos, uma vez que nos convida a olhar para o que realmente importa em nossa alma.
A depressão já configura um estado mais crônico e profundo da dinâmica psíquica. É um estado em que a vida afetiva perde seu tônus, sua força, e em consequência, boa parte da sua plasticidade, do seu movimento. No estado depressivo, existe grande dificuldade para se recuperar o prazer, a alegria e outros afetos. A tristeza pode ou não fazer parte da depressão: ao invés disso, a pessoa pode relatar uma ausência total de sentimentos. Geralmente a depressão produz perda de energia para tomar atitudes do cotidiano, desinteresse, falta de motivação, apatia, indecisão e dificuldade de concentração. A perda de sentido oferece ainda uma perspectiva distorcida e negativa da realidade, um olhar mais pessimista para a vida.
É comum também ocorrer na depressão alterações em algumas funções fisiológicas, como no sono (desenvolver insônia ou dormir demais), perda do apetite, muito cansaço, precisando de maior esforço para realizar as atividades do cotidiano, além da diminuição da libido ou do desempenho sexual.
E o que é preciso estar mais atento, é que na depressão, ao contrário da tristeza, pode gerar ideias sobre a própria morte e, nos casos mais graves, intenções suicidas de fato.
Tratamento: na depressão, por ocorrer alterações químicas no cérebro, é necessária uma intervenção medicamentosa junto com a psicoterapia, processo o qual levará o indivíduo a reencontrar sentido e movimento para a própria vida. Já a tristeza, não precisa ser inibida com medicações. E aqui vai um toque: os períodos de tristeza não podem ser encarados como patologia. Infelizmente, hoje em dia tornou-se hábito a procura por remédio para todo desconforto emocional. É preciso resgatar a lembrança que os altos e baixos fazem parte da vida, e mais, são combustíveis para a alma! São nos períodos de tristeza, luto e desconforto é que nós reciclamos e revitalizamos o que realmente importa na nossa vida. Não precisamos ter medo das nossas fases sombrias, ao contrário, vamos prestar atenção ao que elas podem nos oferecer.

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Psicoterapia: o que é e para quem


A Psicoterapia trata de questões humanas, existenciais. Ela atende a todas as pessoas que estejam passando por alguma espécie de conflito, dificuldade ou questionamentos, sejam relacionados a eventos passados, seja ao momento presente ou a dilemas quanto ao futuro.
O tratamento aborda tanto questões intrapessoais, ou seja, a relação estabelecida consigo mesmo e o olhar para a própria história, quanto questões interpessoais: as relações familiares, os relacionamentos afetivos, profissionais e com o mundo em geral, oferecendo uma oportunidade de compreender e mudar os padrões que não estejam enraizados em uma estrutura mais autêntica do ser.
Como o tratamento psicológico funciona? O psicólogo clínico (psicoterapeuta), munido de meticuloso treinamento teórico e técnico adquirido em sua trajetória de formação profissional, orientará o paciente numa trajetória de aprofundamento pessoal, através de questionamentos e percepções, oferecendo-lhe um novo olhar para sua história, tendo como consequência, a possibilidade de abertura de novos caminhos.
Existem muitos casos em que o tratamento psicológico precisa ser associado com o tratamento medicamentoso. Entre alguns destes, estão problemas como depressão severa, síndrome do pânico, transtorno bipolar, transtornos alimentares, os quais devem ser acompanhados por um Psiquiatra. Devemos alertar que o tratamento psicológico paralelo ao psiquiátrico é indispensável.
Ao longo deste blog, descrevo cada um desses casos a fim de se identificar e esclarecer melhor cada problema no intuito de auxilia-los na busca da ajuda mais adequada.
Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627