Mostrando postagens com marcador Síndrome do Pânico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Síndrome do Pânico. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de março de 2017

Angústia e alma


Foto: Marko Cavka
Não recomendo remédios contra a angústia.
A angústia é a dor da alma. E como dor, ela denuncia algum desarranjo da alma. Ela está alí para ser ouvida.
O que diz sua alma neste momento? Onde está você enquanto sua alma grita, geme ou sussurra? Para que caminhos ela te aponta? Para quais cantos da sua história ela te convida a visitar? É hora de parar ou de se colocar em movimento?
Ouça a sua alma. Fique com sua angústia. Ela chama por sua atenção e de mais ninguém.
É preciso de silêncio, de tempo e de espaço. Ouça sua angústia. Conheça sua dor. Fique com sua alma. Somente em sua presença é que se encontrará sentido para sua existência.

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O que é Síndrome do Pânico?

O Grito - Edvard Munch
A Síndrome do Pânico tem sido um dos problemas bastante recorrente nos últimos anos e que leva o indivíduo a buscar por tratamento psicológico.
Ela é a forma mais acentuada dos transtornos de ansiedade. Como o próprio nome diz, reproduz um estado de pavor intenso. A diferença entre o Pânico e outras crises de ansiedade é que ele aparentemente não é desencadeado por fatores externos. É como se a crise acontecesse sem fundamento algum. Mas veremos que não funciona  bem assim.
Os sintomas se confundem com um ataque cardíaco: o coração acelera muito, a pessoa sente falta de ar, dor no peito, tontura, tremores, sudorese e sensação de iminência de morte. Depois da primeira crise, geralmente a pessoa desenvolve o medo das próximas crises, o que faz com que ela comece a evitar certas situações (como dirigir, por exemplo) e a ter a vida com algumas limitações.
A psiquiatria vai dizer que não existem causas. A análise psicológica tem outra visão e identifica muitos fatores para o desenvolvimento do quadro do Pânico. O que ocorre em geral é que a vivência de eventos difíceis e que tiveram forte impacto na vida da pessoa, como algum tipo de perda, doença, separação, crise profissional, entre outros, podem leva a um desencadeamento para o quadro do pânico, desde que essas situações não foram devidamente elaboradas ou assimiladas pela pessoa. Essas ocorrências podem ter acontecido até dois anos antes das primeiras crises, o que reforça a impressão que elas não têm causa. Outra possibilidade para a instauração do quadro é a antecipação de mudanças que estão para acontecer, e o indivíduo pode sentir que não está preparado para lidar com elas. O que ocorre é que os conteúdos psíquicos ficam abaixo do nível da consciência e, no transtorno do pânico, se mostram de maneira súbita na forma de sintoma. O fato de não termos consciência desses conteúdos não significa que eles não existam, e principalmente, que eles não exerçam influência sobre nosso estado mental e emocional.
O tratamento, quando o quadro é muito acentuado, precisa de auxílio medicamentoso e a psicoterapia é fundamental para se identificar quais são os fatores que estão gerando as crises, mas que não estão no nível da consciência e, por isso, continuam afetando a estabilidade emocional do indivíduo.

Alessandra Munhoz Lazdan
CRP 06/69627

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Toque como Constituição Psíquica


Acho difícil alguém ver esse vídeo e não se sentir tocado. A sensação de prazer e acolhimento ao se colocar no lugar desse bebê nos mostra o quão o toque é vital para o ser humano. Na verdade, o toque é essencial para o desenvolvimento de todos os mamíferos, animais que possuem o sistema límbico no cérebro, parte que regula os processos emocionais do Sistema Nervoso Autônomo, sendo responsável pelas funções de vínculo e afeto, constituintes vitais para o desenvolvimento sadio de todos os animais que o possuem, e nós seres humanos somos um deles.

Reportando-nos especialmente a nós, seres humanos, pensemos na importância vital do toque na nossa organização psíquica. De onde vem esta necessidade de contato corporal e porque isto nos faz bem psiquicamente? Porque a pele é importante na organização psíquica e como participa desta construção?

Nossa memória se constitui em primeira instância através das sensações. Os registros do início da vida (registros mnêmicos) são armazenados no corpo. O contato corporal na relação mãe-bebê é a primeira forma de comunicação do ser humano. Posteriormente, com o desenvolvimento da linguagem é que conseguimos dar significado a esses registros, ou em outras palavras, a simbolizar essas sensações.

Do ponto de vista embriológico, a pele e o sistema nervoso têm a mesma origem. Montagu considera o sistema nervoso como “uma parte escondida da pele ou, ao contrário, a pele pode ser considerada como a porção exposta do sistema nervoso” (MONTAGU, 1971, p.23). Por isso, ao mesmo tempo em que nos protege, ela também é um dos nossos primeiros meios de comunicação.

Considerando que o toque é a nossa primeira referência de contato e afeto e faz parte de nossos registros e memória afetiva, é desejável que as estimulações cutâneas sejam tranqüilizadoras, reconfortantes e agradáveis para que o bebê possa ter um desenvolvimento saudável, sem nenhuma interrupção na sua continuidade de existência. Assim sendo, o toque possui uma importante função na estrutura psíquica do sujeito.

Quando o toque é oferecido com afeto e intenções de acolhimento, o bebê o registra como uma experiência prazerosa, que enriquece e favorece a construção das estruturas afetivas, ao passo que as experiências de desprazer tendem a ser disfuncionais para o bom desenvolvimento dessas estruturas, podendo dar origem a uma série de transtornos psicológicos, sejam de ordem mais simples, como dificuldade de estabelecer vínculos e confiança com outras pessoas; sejam moderadas, como ansiedades e medos; ou complicações mais severas como fobias, síndrome do pânico, transtornos afetivos entre outros.

Todas essas considerações sobre a importância do toque embasaram a criação da Psicologia Biodinâmica, que faz uso do toque terapêutico, como ferramenta para o tratamento de problemas psicológicos que se associam com as estruturas primárias da formação das estruturas psíquicas, como aqui pontuadas. A Psicologia Biodinâmica propõe o “descongelamento” e o fortalecimento da energia corporal e psíquica. O tratamento corporal biodinâmico auxilia, entre outros aspectos, na revitalização energética nos casos de depressão e apatia; na distribuição e harmonização da energia corporal para os que sofrem de stress, ansiedade e insônia; na integração psíquica, minimizando e tratando de sintomas da síndrome do pânico, por exemplo, e agitação mental, devolvendo a concentração e harmonia.

A Psicologia Biodinâmica surgiu na década de 1960, em Londres, quando teve suas bases teóricas e técnicas formuladas por Gerda Boyesen, uma psicóloga e fisioterapeuta norueguesa, e vem influenciando um grande número de profissionais em vários países do mundo desde então.


Referências consultadas:

MACHADO, Rebeca Nonato; WINOGRAD, Monah. A importância das experiências táteis na organização psíquica. Estud. pesqui. psicol., Rio de Janeiro, v. 7, n. 3, dez. 2007 . Disponível em . acessos em 17 fev. 2013.

MONTAGU, A. Tocar: o significado humano da Pele. 7 ed. São Paulo: Summus, 1971.


ALESSANDRA MUNHOZ LAZDAN
CRP 06/69627

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Psicologia Corporal

A Psicologia tem trabalhado atualmente com conceitos reconhecidos em culturas milenares, como as concepções de saúde orientais da relação mente-corpo. A Medicina Tradicional Oriental sempre reconheceu e trabalhou com a visão holística do ser humano, ou seja, reconhecendo o homem como uma unidade dinâmica psico-física-espiritual. Estudiosos da Psicologia, percebendo a influência desta relação, partiram ao aprofundamento deste estudo o que se denomina hoje a chamada Psicologia Corporal.

Esta abordagem compreende tanto o aspecto físico do corpo, conhecida como a imagem corporal (como o corpo é visto e aceito socialmente, como a própria pessoa vê a si mesma e sua autoaceitação - isto inclui também os transtornos alimentares como a obesidade, bulimia e anorexia), como as sensações corporais, como o bem estar com o próprio corpo, as sensações de prazer e desprazer (incluindo a sexualidade), as emoções que surtem no plano físico, as expressões que conseguem ser exteriorizadas de maneira espontânea ou as que “devem” permanecer represadas no corpo, causando angústia, medo, ou até mesmo doenças. Um exemplo comum hoje em dia é a Síndrome do Pânico; sensações e emoções acumuladas que não puderam ser nomeadas e manifestadas de forma assertiva ou adequada no momento original. Este acúmulo de sensações, hoje transformados em sintomas de ansiedade e angústia, explodem de uma única vez no corpo causando desespero e desestruturando a vida do indivíduo acometido. Este tipo de transtorno acontece quando a conexão entre o psíquico e o corpo falha, desconexão cada vez mais freqüente na sociedade em que vivemos, cercada de exigências pessoais e profissionais de sucesso e desempenho perfeito, colocando em sacrifício os anseios da própria alma.

No cotidiano, a inconsciência corporal permite que as tensões do dia a dia bloqueiem o fluxo normal da energia e das emoções fazendo com que se perca a espontaneidade nas relações humanas.

Entre as vertentes da Psicologia Corporal destaca-se a Psicologia Biodinâmica, que intervém no corpo através da Massagem Biodinâmica.

A Psicologia Biodinâmica propõe o “descongelamento” e o fortalecimento da energia corporal e psíquica através da massagem. A massagem pode ser utilizada para a redescoberta da percepção do corpo e de si mesmo. Ela se apresenta antes de tudo como um cuidado ao indivíduo, respeitando seu momento, suas necessidades e limitações. Para isso, ela dispõe de variados tipos de toques e procedimentos.

O tratamento corporal biodinâmico auxilia, entre outros aspectos, na revitalização dos fluxos vitais nos casos de depressão e apatia; na distribuição e harmonização da energia corporal para os que sofrem de stress, ansiedade e insônia; na integração psíquica para os sintomas desintegrativos, sentido na Síndrome do Pânico; devolve a concentração e criatividade.

De maneira geral, a consciência corporal despertada no trabalho biodinâmico contribui na autorregulação psíquica, orgânica e espiritual, proporcionando maior vitalidade e saúde para o ser humano como um todo.


ALESSANDRA MUNHOZ LAZDAN
CRP 06/69627